Cardeal teria manipulado Paolo Gabriele, mordomo do Papa Bento 16, no vazamento de documentos do Vaticano

Michael Caceres 28 de maio de 2012

As investigações sobre o vazamento de documentos secretos da Santa Sé após descoberta de que o mordomo do Papa teria sido o responsável por entregar os documentos a imprensa levaram a figura de um cardeal. Paolo Gabriele, o mordomo do Papa Bento 16 detido na quarta-feira, que seria apenas um executor, foi manipulado por um cardeal, afirma a imprensa italiana.

“Um cardeal guiou o ‘corvo’ (a pessoa que vazou os documentos)”, era a manchete do jornal romano “Il Messaggero”, enquanto o grande jornal milanês “Corriere della Sera” afirmou que havia “um cardeal entre os informantes anônimos”.

A guarda do Vaticano prendeu Gabriele e encontrou documentos confidenciais em sua casa, aproximadamente um mês depois da criação de uma comissão de investigação para esclarecer as indiscrições que desde janeiro afetam o pequeno Estado.

Um livro publicado há oito dias na Itália contém um número sem precedentes de documentos confidenciais sobre numerosos debates internos do Vaticano, como a situação fiscal da Igreja ou os escândalos de pedofilia dentro do movimento dos Legionários de Cristo.

“Entre os infiltrados, estão os que se opõem ao cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone, os que pensam que Bento XVI é muito fraco para dirigir a Igreja, e os que acham que é o momento oportuno para se destacar”, disse a mesma fonte anônima.

Segundo esta pessoa, citada pelo La Repubblica, o Papa sentiu muito a destituição na quinta-feira do presidente do banco do Vaticano IOR, Ettore Gotti Tedeschi, que ele gostava muito, até o ponto de começar a chorar, passando a reagir com raiva, dizendo que “a verdade virá à tona”. Gotti Tedeschi foi destituído por sua gestão, mas também, segundo fontes vaticanas, porque havia divulgado fora do Santa Sé alguns documentos relativos ao banco.

(Com informações Agência France Presse)

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