20-Mar-2010
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Igrejas chilenas devem pedir perdão pelo silêncio e apoio à ditadura Pinochet

Postada em: sexta-feira, 5 de maio de 2006 7:29h  |  Internacional  |  Sem comentários  |  A A A

“As igrejas chilenas têm pendente a tarefa de pedir perdão à sociedade por terem mantido silêncio, ou pior ainda, por terem apoiado as ações do governo militar do general Augusto Pinochet”, disse o secretário do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI) para a região andina, pastor chileno Eduardo Cid Cortés.

Pastor da Missão Evangélica Wesleyana, Cid assegurou que foram poucas as igrejas que fizeram ouvir sua voz profética num dos períodos mais obscuros vividos pela sociedade chilena.

O religioso frisou que desde o retorno da democracia no país, em 1990, com o governo do presidente Patricio Aylwyn, algumas vozes apresentaram no seio das igrejas a necessidade de pedir perdão, mas conforme passou o tempo a idéia se diluiu. “Agora é tempo da igreja reconhecer seu erro”, frisou.

O secretário regional do CLAI lamentou que se tenha perdido a urgência do testemunho unido das igrejas perante a sociedade “por zelo dos líderes ou por privilegiar o perfil denominacional”. Recordou que antes havia só uma entidade representativa do povo evangélico, o Comitê de Organizações Evangélicas (COE), e que agora existem quatro, para desconcerto das autoridades governamentais, que não sabem quem são os interlocutores mais representativos.

Cid Cortés identificou um problema cultural entre os evangélicos chilenos: seu desejo de fazer prevalecer sua imagem. “Parece que os interessa mais o poder e não o desejo de servir a comunidade”, manifestou.

O pastor chileno questionou as reclamações dos evangélicos de disporem de capelania nas forças armadas, hospitais e presídios. “Não se vê com clareza o ‘para quê’ das capelanias, pois algumas experiências mostraram que muitos líderes confundem o trabalho de assistência espiritual com proselitismo”, lamentou. Superar essas práticas de lideranças evangélicas ainda vai levar anos, vaticinou.

Os evangélicos chilenos totalizam 16% da população. Em reconhecimento ao espaço que ocupam na sociedade chilena o governo anterior, do presidente Ricardo Lagos, nomeou o bispo metodista Neftalí Aravena como primeiro capelão evangélico do palácio presidencial La Moneda. Também criou o Dia das Igrejas Evangélicas, que será celebrado pela primeira vez em 31 de outubro próximo, data em que as igrejas recordam a Reforma Protestante do século XVI.

Para Cortés, existem indicativos suficientes de uma boa disposição para os evangélicos por parte do governo da Concertación, presidido por Michele Bachelet. Mas falta, a seu ver, uma maior abertura dos líderes evangélicos e um desejo genuíno de dar um testemunho unido frente ao país.

Fonte: ALC Notícais

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