02-Set-2010
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Demolição de terreiro provoca polêmica em Salvador

Postada em: terça-feira, 18 de março de 2008 5:47h  |  Brasil  |  Sem comentários  |  A A A

BAHIA – Imagens de orixás foram destruídas e prédio será reconstruído pela prefeitura. Conselheiro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos protestou com greve de fome.

(Fonte: G1) – O terreiro Oyá Onipó Neto, localizado há mais de 29 anos na Avenida Jorge Amado, em Salvador, foi parcialmente demolido em 27 de fevereiro, o que provocou polêmica e uma série de manifestações contra a intolerância religiosa. A destruição provocou exoneração de uma funcionária da Superintendência de Controle do Uso do Solo do Município (Sucom) e o prédio está sendo reconstruído.

Alguns dias após a derrubada do prédio, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, pediu desculpas pelo ocorrido, em público, e anunciou que o templo seria reconstruído. Segundo a mãe-de-santo Rosalice Santos do Amor Divino, de 50 anos, uma construtora, cujo nome é mantido em sigilo, assumiu a obra.

Mãe Rosa, como é conhecida em Salvador, disse que espera poder realizar suas atividades religiosas o mais breve possível. “Não vejo a hora de poder entrar novamente no templo. Afinal de contas, estou no local há quase 30 anos. Felizmente recebemos apoio de diversos religiosos, de todos os credos possíveis. O que aconteceu não poderia ter acontecido.”

Marcos Rezende, de 33 anos, conselheiro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fez cinco dias de greve de fome como protesto até a solução do caso. “Só encerrei a greve de fome depois de receber a garantia de que a administração municipal pediria desculpas e reconstruiria o templo. Além disso, será preciso repensar a situação imobiliária de muitos outros templos religiosos, sejam eles de qualquer natureza.”

Castigo do céu

Para Rezende, o efeito da destruição do terreiro veio dos céus logo no dia 28 de fevereiro. “Neste dia, uma chuva, como há muito tempo não se via em Salvador, provocou estragos na cidade. Foi a resposta dos orixás. Como religiosos, achamos que isso foi um clamor de Iansã e Xangô por Justiça”, disse.

Segundo ele, todos os quartos dos orixás foram derrubados na ação da Sucom. “A única imagem que caiu do barracão foi o orixá da Justiça (Xangô). Iansã é o orixá das ventanias e tempestades. Xangô também é o orixá dos raios e dos trovões. Por isso, achamos que o temporal que caiu em Salvador um dia após a derrubada do terreiro foi uma resposta contra a intolerância religiosa”, afirmou Rezende.

Para Almiro Sena, promotor de Controle à Discriminação e Intolerância Religiosa de Salvador, a derrubada do terreiro foi um ato arbitrário e inconstitucional. “O prefeito já sinalizou a reconstrução do terreiro, mas a responsável pela demolição do prédio, a senhora Kátia Carmelo, ainda pode responder por crime de intolerância religiosa. O dano religioso é irreversível”, disse o representante do Ministério Público.

A Sucom informou que a responsável pela ordem de demolição foi exonerada dois dias depois do ocorrido.


Terreiro demolido provoca polêmica em Salvador (Foto: ADI/Edgar de Souza)

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