Após a menina de 9 anos que engravidou de gêmeos ter abortado os dois fetos na manhã desta quarta-feira (4), a advogada da Arquidiocese de Olinda e Recife, Rilane Dueire, afirmou que não adianta mais entrar com ação na Justiça, já que o fato já está consumado.
“Não temos muito o que fazer mais, só lamentar pelas duas vidas que foram ceifadas de maneira absurda. Agora nossa medida judicial perdeu o sentido. Uma criança de 9 anos vai carregar dois dramas: primeiro ter sido vítima de violência sexual e, segundo, de no futuro saber que foi obrigada a tirar essas duas vida. Existem mais dois anjos no céu por irresponsabilidade. Se a menina tivesse risco iminente era justificado, mas vários especialistas do Imip, que é um hospital de referência, disseram que ela não tinha risco de morrer. Poderiam aguardar mais um tempo. Estou efetivamente de luto”, declarou a advogada.
Rilane Dueire ainda questionou a responsabilidade da mãe da garota. “A Justiça e o Conselho Tutelar devem avaliar se a mãe tem condições de ficar com essa criança, porque uma mãe que arruma um companheiro que estupra a filha dela e depois autoriza o aborto… A criança é inocente, mas a mãe tem discernimento. Agora nos resta apoiar essa criança que ficou. Nosso papel a gente fez, brigamos pela vida”.
A garota de Alagoinha engravidou após ser estuprada pelo padrasto de 23 anos. O aborto, realizado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, foi induzido por medicamentos. O primeiro feto foi expelido por volta das 9h. O segundo, às 11h30.
A menina, que teve alta do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) no final da tarde da terça-feira (3), deve passar ainda por uma curetagem – procedimento médico para retirar material placentário da cavidade uterina.
De acordo com os médicos, o estado de saúde da garota – que tem 33 quilos e 1,36 m de altura – é estável e ela deve continuar internada na unidade de saúde até esta sexta-feira (6).
PAIS – O aborto aconteceu em meio à polêmica envolvendo o pai da garota, que, evangélico, demonstrou ser contrário ao procedimento. No entanto, a mãe decidiu tirar a criança do Imip, onde estava internada, e levá-la ao Cisam para a realização do aborto.
No último dia 3, a polícia prendeu o trabalhador rural José Amâncio Vieira Filho, acusado de ter estuprado a enteada. A prisão ocorreu um dia depois de a história vir à tona no município de Alagoinha, no Agreste de Pernambuco. Em depoimento à polícia, José Amâncio confessou também ter violentado a irmã da menina, hoje com 14 anos e portadora de deficiência.
Fonte: JC
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